31 de ago. de 2009

Uma Minissaia e uma Joaninha





Eu acho que era o dia mais frio do ano. Eu estava em um estacionamento grande e amplo, andando em direção ao meu carro bem cedinho, quando eu a vi. Eu estava com minha cabeça baixa e vestindo o capuz do casaco, e com meus braços cruzados para despistar a brisa cortante, mas aquela visão instantaneamente chamou minha atenção. Parecia estranho ainda fascinante. O frio frígido da manha descortês e rude estava paralisante, mas isso não impediu aquela garota. Ela estava usando uma minissaia jeans e um humilde top branco. Se ela estava com frio ou não, eu não sei, mas ela parecia ardente e fogosa.

Eu rapidamente a perdi de vista. Eu nem sei se aquela visão incrível foi apenas uma miragem em um oásis frio ou uma crua realidade, mas enquanto eu andava meu breve caminho ao carro, eu comecei a pensar sobre os diversos tipos roupas existentes em nosso planeta. Por que alguém usaria uma minissaia jeans e um top branco num frio daqueles?!

Então eu pensei na variedade de culturas em nosso planeta. Vemos desde lençóis coloridos enrolado no corpo, como no Oriente Médio, até minissaias jeans e humilde tops brancos. Vemos chapéus variando de bonés da Nike à turbantes Sikh. Vemos roupa de praia variando de maiô à biquínis à topless. Esses estilos de roupa foram todos inventados para propósito específico. Porém, hoje em dia esses propósitos estão perdidos.

Por exemplo, nas Américas, a camisa é a roupa mais popular de todas. Mas a camisa de algodão como conhecemos foi para os Estados Unidos durante a segunda guerra mundial diretamente da Europa. A camisa de algodão foi inventada para substituir o vestuário quente de lã que os soldados usavam em baixo do uniforme. Só depois, em 1955, que a camisa se tornou popular quando atores como Marlon Brando, James Dean, e John Wayne usavam na televisão. Hoje em dia, como sabemos, a camisa é usada como peças de moda para impressionar pessoas ou chamar atenção. Vemos então como a camisa variou drasticamente o seu propósito original.

A saia é também outra peça de roupa que foi inventada para outro propósito. Saias são usadas desde o império Romano milhares de anos atrás. Os gladiadores usavam saias de bronze para proteger e ao mesmo tempo dar flexibilidade e conforto nas lutas. Naquele tempo as saias eram usadas para proteger as coxas. Hoje em dia elas são usadas habitualmente entre as mulheres para expor as coxas. Entretanto, homens na Escócia também usam saias como peças de moda do dia a dia.

Mas certamente o que captura mais a minha curiosidade são as gravatas. Por que gravatas? Por que enrolar um pedaço de pano no pescoço e ir trabalhar? O que isso significa, ou significou?
Gravatas foram criadas originalmente na Croácia. Dizem que as gravatas começaram como um echarpe amarrado no pescoço. O echarpe era dado ao soldado croata pela sua amada em um sinal de lealdade e devoção. O soldado então usaria o echarpe para mostrar aos outros que ele tinha uma namorada ou esposa. A gravata então se tornou popular na França, e foi dado o nome de “Cravate” para honrar os soldados croatas. Hoje em dia, entretanto, não usamos mais gravatas como sinal de lealdade e devoção. As usamos porque elas representam formalidade e profissionalismo.


Para nós, seres humanos, tudo tem que ter um significado. Damos significados às coisas e depois logo reinventamos o significado. Roupas, por exemplo, podem ter começado a existir como uma maneira de se proteger do frio, e auxiliar a nossa sobrevivência. Hoje em dia, roupas são também usadas como atributos sexuais para chamar a atenção do sexo oposto.

Quando eu finalmente terminei minha caminha ao carro, eu tive outra visão fascinante. Mas dessa vez ela estava nua! O frio cortante da manhã também não parecia importuná-la nem um pouco. Quando eu cuidadosamente abri a porta do carro para não incomoda-la, eu percebi que ela não fazia ideia que eu estava ali olhando pra ela. E ali estava uma joaninha, nua, em cima da minha porta, sem nenhuma ideia de onde eu estava ou quem eu era. Ela não sabia se estava calor ou frio. Ela não sabia o que eram bonés, ou saias, ou gravatas. Ela não tinha absolutamente nenhuma pista do que ela estava fazendo ali. Ela nem sabia onde ela estava ou porquê. Sequer ela sabia que ela existia.

Aquela pequena Joana me fez pensar de novo sobre a diversidade cultural do nosso planeta, e sobre todos os significados que damos a pequenos pedaços de pano, lã, ou linho que enrolamos em volta da cintura ou pescoço. Damos significados maiores que a vida às marcas como Armani, Lacoste, ou Colcci. Damos significados às pessoas, aumentando ou diminuindo caracteres erroneamente simplesmente pelas roupas usadas. Tudo isso se tornou possível quando a mãe natureza veio-se ser consciente dela mesma; em nós. Quando ela tomou coragem, olhou no espelho, e viu com olhos indubitáveis sua beleza impecável. Então, ela vestiu uma minissaia jeans e um top branco e foi enfrentar o frio poderoso para mostrar para todo mundo sua incontestável superioridade.

Então eu entrei no carro e fechei a porta, e......creckkk......ups......a joaninha..... :(






Fabio Camara




27 de ago. de 2009

Hoje é Sabado




Hoje é sábado.

Sexta foi bom demais. Embora, a noite não tenha terminado como planejado, foi muito satisfatório. Entre os agradáveis cocktails rosas com guarda chuvinhas do lado e as severas doses de tequilas, nós nos divertimos muito. Eu até aprendi uma coisa ou outra. Mas já tava tarde, e tudo sempre acaba. Além disso, nós estávamos muito cansados do dia anterior.

Quinta foi um dia muito longo. Começamos cedo, logo depois do trabalho... Um pouco antes disso na verdade. A gente atravessou à noite como guerreiros relâmpagos pilotando nossos cavalos brancos invisíveis. E como rebeldes trazendo ordem pra tudo e todos que nos tocavam e sentiam. Algumas vezes, desenhávamos coraçãozinhos vermelho em guardanapos brancos, outras vezes lambíamos limões e sal em camisas abertas. Às vezes beijávamos, outras vezes quebrávamos janelas com nossas próprias mãos. Mas certamente, curtimos a noite como reis! Reis do nosso próprio universo, trabalhadores da nossa própria mente, e escravos do nosso próprio desejo. Mas já tava tarde, e tudo sempre acaba. E nós seguimos caminhos diferentes. Alguns foram pra casa, outros ainda estão tentando, e muitos se perderam no caminho. Quanto a mim? Eu apenas adormeci.

Hoje é sábado. A diversão acabou de começar de novo. Estou nesse lugar legal que acabou de abrir. Eu sei que ainda está cedo, mas aqui é bem claro e não está muito cheio. Estou pensando em pular as doses de tequila hoje e ficar só na cerveja-- itaipava talvez. Já até vejo umas pessoas interessantes ali na frente bebendo vinho e falando sobre o aquecimento global. Também tem uma menina linda ali no canto sozinha. Tenho um pressentimento que essa noite vai ser boa, mas é melhor eu começar logo, porque você sabe, tudo sempre acaba, e o fim chega rápido. Eu só espero que tudo saia bem pra eu poder passar meu domingo em casa sossegado, curtindo a família.








Fabio Camara


 



Fraldas e Supermercados



Às vezes a verdade se esconde nos detalhes do dia a dia que até aquelas pessoas mais próximas de nós a perde de vista. Às vezes as pessoas esquecem de onde viemos e quem realmente somos. Até mesmo aquelas pessoas que acreditamos que nos conhecem de verdade; nossa alma. Eu estou escrevendo isso para lembrar à essas pessoas quem eu sou, de onde eu vim, e para onde eu vou. E acima de tudo para lembrá-las que não é importante o que as pessoas pensam de nós, e sim o que somos dentro de nós, porque nós somos as únicas pessoas desse mundo que conhecem a verdade, a nossa verdade, com nossos olhos, nossa alma.
O ano era 1995, numa cidade pequena, de um pais subdesenvolvido, rodeado de mentes subdesenvolvidas, que não tinham a capacidade de diferenciar um “por quê” de um “o quê”. De canto a canto, muro a muro, cigarro a cigarro, decepção à sabedoria, eu sobrevivi estes longos três anos de existência obscura. Sempre um passo a frente, na minha cabeaç, às vezes não apenas lá.
Logo depois disso, uma nova vida se estimulou, e com isso, uma nova vida se sucedeu; um bebe recém nascido. Minha filha veio sem surpresas pra mim, e para mim. Claro que foi planejado, como todo o resto da minha vida. Talvez não conscientemente, talvez não por mim, mas sem dúvida nenhuma, calculado e precisamente calibrado para aquele exato momento e lugar.
E certamente muito bem vinda. Talvez só por mim. Entretanto, isso não me mudou, nada nunca me mudará, mudou apenas a minha vida, pra sempre, nada mais.
Essa nova vida veio com perspectiva. Os cantos se transformaram em estradas, os muros em portas á serem abertas, e os cigarros em fraldas e supermercados. E a sabedoria em amor, mas um amor sábio. Eu ganhei um tipo de amor que faz tudo parecer melhor sem importar a situação. É um amor amor cheio de esperança, enfeitado com chantilly e cereja. E está sempre lá depois de um dia cansativo de trabalho, quando nada parece certo, e você só precisa de algo doce para relaxar. Sempre lá, deitada na sua caminha rosa e aconchegante. E as estradas vieram com um destino, coisa que era novidade para mim no momento.

Então, eu segui aquela estrada que foi construída no meu caminho. Claro que foi difícil, mas eu nunca reclamei. Claro que as coisas não caíram do céu pra mim (na verdade, às vezes caíram sim). Porém, eu nunca me preocupei porque eu podia ver claramente o meu destino, a única coisa que eu devia fazer era continuar naquela estrada. Às vezes eu peguei meu jato SR-71 blackbird, às vezes meu carrinho, às vezes eu corri, e muitas vezes eu andei, e pelo menos em uma oportunidade eu me arrastei. Mas eu sempre sabia exatamente aonde ir e como chegar lá.
E agora, meus amigos, a minha estrada continua posta, diante de mim. Não sei exatamente qual é o meu meio de condução no momento, mas ainda consigo ver claramente meu destino. Às vezes é importante parar pra cheirar as rosas, ou come-las, ou fuma-las, ou joga-las no mar, mas enquanto eu estiver aqui, nesta mesma estrada, eu não tenho com o que me preocupar, eu sempre estarei bem. É só continuar seguindo, continuar seguindo...







Fabio Camara


 



Lua




Como o incerto me intriga! Como a dúvida me inspira! Seria pela minha sede insaciável de conhecer?! Não sei, com certeza quero saber, e amo quem sabe. Mas assim como a certeza existe, existem coisas inexplicáveis, e pessoas. E eu tenho certeza que queria muito conhecer essa pessoa. Inexplicável, intrigante e com certeza, in-certa.