Em algum lugar dentro do tempo
Onde o mar encontra o vento
Num canto tranquilo do Pacífico
Existe uma surfista indígena
De cabelo emaranhado
Ela brinca com as mãos na areia
De pele áurea e alma livre
Dança com os pês na água
Cria asas e não raízes
Com seus olhos cor de música
Pinta a vida como um poeta
Carrega impressa na cintura
Uma nota pura que permanece
Sem saber se é cor ardente
Ou se é cinza que não se aquece
Sem saber se é estrela eterna
Ou vida efêmera que envelhece
Em cada canto vê melodia
Essa moça leve que passa e fica
Em três lugares ao mesmo tempo
no peito, na pele, e no pensamento
Me serve a cada manhã do dia
Na boca, um sabor sem fim,
Com conta gotas de poesia
Um perfume doce como Jasmim
Fabio Câmara