Uma Minissaia e uma Joaninha
Eu acho que era o dia mais frio do ano. Eu estava em um estacionamento grande e amplo, andando em direção ao meu carro bem cedinho, quando eu a vi. Eu estava com minha cabeça baixa e vestindo o capuz do casaco, e com meus braços cruzados para despistar a brisa cortante, mas aquela visão instantaneamente chamou minha atenção. Parecia estranho ainda fascinante. O frio frigido da manha descortês e rude estava paralisante, mas isso não impediu aquela garota. Ela estava usando uma minissaia jeans e um humilde top branco. Se ela estava com frio ou não, eu não sei, mas ela parecia árdua e fogosa.
Eu rapidamente a perdi de vista. Eu nem sei se aquela visão incrível foi apenas uma miragem em um oásis frio ou uma crua realidade, mas enquanto eu andava meu breve caminho ao carro, eu comecei a pensar sobre os diversos tipos roupas existentes em nosso planeta. Porque alguém usaria uma minissaia jeans e um top branco num frio daquele?!
Então eu pensei na variedade de culturas em nosso planeta. Vemos desde lençóis coloridos enrolado no corpo, como no Oriente Médio, até minissaias jeans e humilde tops brancos. Vemos chapéus variando de bonés da Nike à turbantes Sikh. Vemos roupa de praia variando de maiô à biquínis à topless. Esses estilos de roupa foram todos inventados para propósito específico. Porém, hoje em dia esses propósitos estão perdidos.
Por exemplo, nas Américas, a camisa é a roupa mais popular de todas. Mas a camisa de algodão como conhecemos foi para os Estados Unidos durante a segunda guerra mundial diretamente da Europa. A camisa de algodão foi inventada para substituir o vestuário quente de lã que os soltados usavam em baixo do uniforme. Só depois, em 1955, que a camisa se tornou popular quando atores como Marlon Brando, James Dean, e John Wayne usavam na televisão. Hoje em dia, como sabemos, a camisa é usada como peças de moda para impressionar pessoas ou chamar atenção. Vemos então como a camisa variou drasticamente o seu propósito original.
A saia é também outra peça de roupa que foi inventada para outro propósito. Saias são usadas desde o império Romano milhares de anos atrás. Os gladiadores usavam saias de bronze para proteger e ao mesmo tempo dar flexibilidade e conforto nas lutas. Naquele tempo as saias eram usadas para proteger as coxas. Hoje em dia elas são usadas habitualmente entre as mulheres para expor as coxas. Entretanto, homens na Escócia também usam saias como peças de moda do dia a dia.
Mas certamente o que captura mais a minha curiosidade são as gravatas. Porque gravatas? Porque enrolar um pedaço de pano no pescoço e ir trabalhar? O que isso significa, ou significou?
Gravatas foram criadas originalmente na Croácia. Dizem que as gravatas começaram como um echarpe amarrado no pescoço. O echarpe era dado ao soldado croata pela sua amada em um sinal de lealdade e devoção. O soldado então usaria o echarpe para mostrar aos outros que ele tinha uma namorada ou esposa. A gravata então se tornou popular na França, e foi dado o nome de “Cravate” para honrar os soldados croatas. Hoje em dia, entretanto, não usamos mais gravatas como sinal de lealdade e devoção. As usamos porque elas representam formalidade e profissionalismo.
Para nós, seres humanos, tudo tem que ter um significado. Damos significados às coisas e depois logo reinventamos o significado. Roupas, por exemplo, podem ter começado a existir como uma maneira de se proteger do frio, e auxiliar a nossa sobrevivência. Hoje em dia, roupas são também usadas como atributos sexuais para chamar a atenção do sexo oposto.
Quando eu finalmente terminei minha caminha ao carro, eu tive outra visão fascinante. Mas dessa vez ela estava nua! O frio cortante da manha também não parecia importuná-la nem um pouco. Quando eu cuidadosamente abri a porta do carro para não incomoda-la, eu percebi que ela não fazia idéia que eu estava ali olhando. E ali estava uma joaninha, nua, em cima da minha porta, sem nenhuma idéia de onde eu estava ou quem eu era. Ela não sabia se estava calor ou frio. Ela não sabia o que eram bonés, ou saias, ou gravatas. Ela não tinha absolutamente nenhuma pista o que ela estava fazendo ali. Ela nem sabia onde ela estava ou por que. Tampouco ela sabia que ela existia.
Aquela pequena Joana me fez pensar de novo sobre a diversidade cultural do nosso planeta, e sobre todos os significados que damos á pequenos pedaços de pano, lã, ou linho que enrolamos em volta da cintura ou pescoço. Damos significados maiores que a vida às marcas como Armani, Lacoste, ou Colcci. Damos significados às pessoas, aumentando ou diminuindo caracteres erroneamente simplesmente pelas roupas usadas. Tudo isso se tornou possível quando a mãe natureza veio-se ser consciente dela mesma. Quando ela tomou coragem, olhou no espelho, e viu com olhos indubitáveis sua beleza impecável. Então, ela vestiu uma minissaia jeans e um top branco e foi enfrentar o frio poderoso para mostrar para todo mundo sua incontestável superioridade.
Então eu entrei no carro e fechei a porta, e......creckkk......ups......a joaninha..... :(
Fabio Camara