Aqui dentro o silêncio.
O silêncio que vem de dentro, retumbante, revolto, eloquente.
O silêncio destorcido.
O silêncio que é o vazio, o sem, o ímpar; a falta.
O ímpeto.
O silêncio que é a falta até da saudade.
A insignificância... o que não me acompanha.
A falta de propósito, falta de amor, de ódio, de esperança.
O sempre sem sentido.
O ópio.
O silêncio que é bom e mau ao mesmo tempo.
E nenhum dos dois, pois eles só existem no silêncio.
O silêncio que é eterno, e efêmero, e sem tempo.
O silêncio reconfortante de deus.
Que não existe.
A falta,
A morte.
O silêncio de tudo aquilo que só existe em mim.
E TUDO só existe em mim.
De todos os livros que eu não li, de todas as bocas que não beijei.
E do que há de vir.
Em mim.
Que fala o que quer, mas cala.
O silêncio que berra calado.
Que fala o que quer calado.
E corrói.
O silêncio calado, ensurdecedor,
Que corrói.
O silêncio, por versos, que declama moralidades e éticas eloquentes,
É o mesmo silêncio; perverso. Eloquente.
Que remói.
O silêncio que berra brados de fúria descontrolados.
Que range, que quebra, que chia.
Que trinca.
Reclama, declama,
E recita.
E espada de enfeite na mão.
Do peão.
Do machucado.
O silêncio dos meus pais, abandonados no cemitério da minha alma.
Dos meus amigos, fantasmas, perambulando por bares,
Dos copos de whiskey e das taças de vinho-tinto,
Que inundam minha alma, e transbordam meu corpo.
O silêncio dos brindes estridentes.
Sem voz.
Sem vez.
O silêncio brilhante e invisível do meu amor.
Tão presente e tão pensante como o silêncio das ondas do mar,
Batendo prazerosas na areia,
Ouvinte do meu quarto de hotel.
O silêncio uivante dos lobos solitários na noite escura, fria, e pesarosa.
O silêncio gritante do arrependimento ecoando em todos os cantos da minha alma.
O silêncio em todos os cantos da minha alma,
Mirados ao céu.
Em todas as lágrimas que caem ao chão,
Sujo,
Pela humanidade.
Aqui dentro, o silêncio;
O silêncio do mundo, de todas as coisas, de todas as casas.
Em todas as asas que me tiram do tom.
Aqui dentro o silêncio dos sentimentos, de todos os males, da bondade.
O silêncio da bondade.
Aqui dentro o silêncio do campo, o silêncio do rio, dos riachos, e das cachoeiras,
O silêncio do tempo,
Das brisas, do inverno, das ribanceiras,
O silêncio do vento.
Do mistério.
Aqui dentro, o silêncio preciso.
Lá fora o barulho do mar...
Apenas o barulho distorcido do mar.
FaBiO CâMARa
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