Sento-me à mesa mais uma vez,
Passeando em versos livres pelo Jardim Doente.
Passeando em versos livres pelo Jardim Doente.
Olho a minha volta este palco cheio de pessoas
vazias convencidas dos seus disfarces,
Como estátuas ocas com poses de esculturas épicas,
Compostas de valores dúbios, depostas de estruturas éticas,
Se equilibrando em um pedestal flácido corroído pelo ácido da arrogância.
Um céu ilustre de estrelas pálidas.
Como estátuas ocas com poses de esculturas épicas,
Compostas de valores dúbios, depostas de estruturas éticas,
Se equilibrando em um pedestal flácido corroído pelo ácido da arrogância.
Um céu ilustre de estrelas pálidas.
Um teatro cômico de palhaços fúteis desfilando em linha torta,
Pela corda bamba da vaidade.
Um salão de exposição de autorretratos célebres carentes de mérito.
Todos com sorrisos cínicos entalhados no rosto,
Louvando seus egos pútridos.
Pela corda bamba da vaidade.
Um salão de exposição de autorretratos célebres carentes de mérito.
Todos com sorrisos cínicos entalhados no rosto,
Louvando seus egos pútridos.
O café gelado desce envergonhado, lavando suas
bocas frígidas,
E aquecendo suas almas frágeis.
Senti no meu hálito um gosto amargo de mágoa e desgosto.
No meu âmago uma ânsia insana e sóbria,
E uma vontade sombria,
De desistir de existir.
E aquecendo suas almas frágeis.
Senti no meu hálito um gosto amargo de mágoa e desgosto.
No meu âmago uma ânsia insana e sóbria,
E uma vontade sombria,
De desistir de existir.
Mas de repente a paisagem muda; e grita de
perder o fôlego.
A moça passa exalando fogo, vestida de indiferença,
Despida de graça, sem pressa, devassa, pela nevoa espessa da empáfia.
Em um movimento lento de um momento íntimo da sua língua doce,
Como um manto de plumas de um ganso lúbrico, agasalhando seus lábios mansos,
Ela causa um incêndio no tumulo dos meus desejos,
Que aquece meu ego que logo envaidece,
Se enfeita de cobre, e esquece que é nobre,
E logo apodrece.
Despida de graça, sem pressa, devassa, pela nevoa espessa da empáfia.
Em um movimento lento de um momento íntimo da sua língua doce,
Como um manto de plumas de um ganso lúbrico, agasalhando seus lábios mansos,
Ela causa um incêndio no tumulo dos meus desejos,
Que aquece meu ego que logo envaidece,
Se enfeita de cobre, e esquece que é nobre,
E logo apodrece.
Sento-me à mesa mais uma vez,
Cego e confuso, eu lanço meu canto.
Do lado interno, seguro e sincero,
Me sinto um intruso.
Me sinto
traído, e consumo meu pranto,
Não pelo
encanto de quem eu seduzo,
Não pelo
espanto de quem eu desprezo,
Mas sim
pela pena que escreve este conto.
Fabio M. Camara