4 de mai. de 2010

65 Coraçoes Mortos



Era uma vez um cara que nao sabia amar. Bem que ele
tentava muito, inventava, ele até que gostava, as vezes muito.
O tempo passava, os nomes mudavam, as lágrimas continuavam a jorrar, e ainda assim, o cara nao aprendia.

Mas ele era um artista disfarçado! Nunca desistia! Sempre buscava ferozmente o amor eterno em todos os olhares, em todos os sorrisos. Dentro de todos os corações ele achava que podia estar se escondendo o que ele sempre desejou. Mas não era simples assim. Ele simplesmente estava procurando uma coisa que não existia para ele; uma palavra que ele ainda nao havia inventado, somente riscos, rabiscos, rasuras. 
Não era facil desenhar desse jeito.

Esse cara cresceu. Se casou, teve filhos, teve filhas.
Casou de novo. Teve netos.
Separou.

E com o passar do tempo ele foi se esquecendo dos olhares.
Os sorrisos foram sumindo... dele e de todos... O tempo já não passava mais. Seu coração já nao parava mais. Seu pulmão já não suspirava mais.
Ele nunca deixou de procurar, mas de tanto errar, e de tanto gritarem o erro em sua cara, o cara ficou carente, e já não sabia mais o que ele estava procurando.

Ele ficou cego, mudo, e surdo. E ainda perdeu a sensibilidade do corpo. Ele morreu de infarto agudo do miocardio, em sua casa, sozinho, olhando para o mar.
Nos segundos antes de morrer, ele que era cego viu Deus. E Deus, com toda a sua bondade arrogante, lembrou ao cara o que ele estava procurando todo esse tempo. E ao mesmo tempo Deus jogou na cara do cara 65 corações mortos, repleto do mais belo amor eterno que o cara matara sem querer ao longo da sua vida. Então, Deus deu um sorriso sarcastico e disse: Tsc tsc... Esses artistas nunca aprendem... Por favor vire a esquerda!




Fabio Camara