Confesso que, para ter razão, fazia bagunça parecer barulho;
Fazia revolta parecer pretexto, contexto, para ser profundo,
Fazia esboço parecer prisão;
E para ser contente, fazia conflito perecer romântico;
Fazia esboço parecer prisão;
E para ser contente, fazia conflito perecer romântico;
Fazia seria parecer sereia;
Fazia poema parecer semente.
Confesso que antigamente,
Fazia mentira para ser semântico;
E para ser autêntico, fazia um instante parecer constante.
Confesso que antigamente,
Fazia poema parecer semente.
Confesso que antigamente,
Fazia mentira para ser semântico;
E para ser autêntico, fazia um instante parecer constante.
Confesso que antigamente,
Para ser confuso, com fundo de verdade,
Fazia do efêmero permanente;
Fazia do efêmero permanente;
E para ser político, fazia ilusão com liberdade;
E para ser loucura, fazia um lúcido parecer maluco;
Antigamente, confesso, contemplava o absurdo;
E para ser loucura, fazia um lúcido parecer maluco;
Antigamente, confesso, contemplava o absurdo;
Para ser o nada e parecer com tudo.
Contudo, de repente,
Um ser nada em minha mente;
Fiz do aparente inexistente, uma vertente coerente;
Fiz parecer o ser com parecer,
E agora transbordo impunemente,
Vulnerável, de Prazer.
Fabio M. Camara
Fiz parecer o ser com parecer,
E agora transbordo impunemente,
Vulnerável, de Prazer.
Fabio M. Camara