31 de ago. de 2013

VERTENTE



Antigamente,
Confesso que, para ter razão, fazia bagunça parecer barulho;
Fazia revolta parecer pretexto, contexto, para ser profundo,
Fazia esboço parecer prisão;
E para ser contente, fazia conflito perecer romântico;
Fazia seria parecer sereia; 
Fazia poema parecer semente.
Confesso que antigamente,
Fazia mentira para ser semântico;
E para ser autêntico, fazia um instante parecer constante.
Confesso que antigamente,
Para ser confuso, com fundo de verdade,
Fazia do efêmero permanente;
E para ser político, fazia ilusão com liberdade;
E para ser loucura, fazia um lúcido parecer maluco;
Antigamente, confesso, contemplava o absurdo; 
Para ser o nada e parecer com tudo.

Contudo, de repente, 
Um ser nada em minha mente;
Fiz do aparente inexistente, uma vertente coerente;
Fiz parecer o ser com parecer,
E agora transbordo impunemente,
Vulnerável, de Prazer.






Fabio M. Camara

7 comentários:

  1. Fazia revolta parecer pretexto, contexto, para ser profundo,
    Fazia esboço parecer prisão;
    E para ser contente, fazia conflito perecer romântico;

    Belo texto! Bom te ver inspirado....
    Sorte no seu futuro, que ele deixe de refletir o passado e trace um novo rumo..

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    1. J.L O primeiro comentário, porém compartilho da msm pergunta do segundo anônimo .

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  2. Pois é.... Como dizia Vinicius de Moraes, é melhor ser alegre que ser triste...

    Mas estou terminando algo legal sobre a Vaidade... coming soon!

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