27 de ago. de 2009

Fraldas e Supermercados



Às vezes a verdade se esconde nos detalhes do dia a dia que até aquelas pessoas mais próximas de nós a perde de vista. Às vezes as pessoas esquecem de onde viemos e quem realmente somos. Até mesmo aquelas pessoas que acreditamos que nos conhecem de verdade; nossa alma. Eu estou escrevendo isso para lembrar à essas pessoas quem eu sou, de onde eu vim, e para onde eu vou. E acima de tudo para lembrá-las que não é importante o que as pessoas pensam de nós, e sim o que somos dentro de nós, porque nós somos as únicas pessoas desse mundo que conhecem a verdade, a nossa verdade, com nossos olhos, nossa alma.
O ano era 1995, numa cidade pequena, de um pais subdesenvolvido, rodeado de mentes subdesenvolvidas, que não tinham a capacidade de diferenciar um “por quê” de um “o quê”. De canto a canto, muro a muro, cigarro a cigarro, decepção à sabedoria, eu sobrevivi estes longos três anos de existência obscura. Sempre um passo a frente, na minha cabeaç, às vezes não apenas lá.
Logo depois disso, uma nova vida se estimulou, e com isso, uma nova vida se sucedeu; um bebe recém nascido. Minha filha veio sem surpresas pra mim, e para mim. Claro que foi planejado, como todo o resto da minha vida. Talvez não conscientemente, talvez não por mim, mas sem dúvida nenhuma, calculado e precisamente calibrado para aquele exato momento e lugar.
E certamente muito bem vinda. Talvez só por mim. Entretanto, isso não me mudou, nada nunca me mudará, mudou apenas a minha vida, pra sempre, nada mais.
Essa nova vida veio com perspectiva. Os cantos se transformaram em estradas, os muros em portas á serem abertas, e os cigarros em fraldas e supermercados. E a sabedoria em amor, mas um amor sábio. Eu ganhei um tipo de amor que faz tudo parecer melhor sem importar a situação. É um amor amor cheio de esperança, enfeitado com chantilly e cereja. E está sempre lá depois de um dia cansativo de trabalho, quando nada parece certo, e você só precisa de algo doce para relaxar. Sempre lá, deitada na sua caminha rosa e aconchegante. E as estradas vieram com um destino, coisa que era novidade para mim no momento.

Então, eu segui aquela estrada que foi construída no meu caminho. Claro que foi difícil, mas eu nunca reclamei. Claro que as coisas não caíram do céu pra mim (na verdade, às vezes caíram sim). Porém, eu nunca me preocupei porque eu podia ver claramente o meu destino, a única coisa que eu devia fazer era continuar naquela estrada. Às vezes eu peguei meu jato SR-71 blackbird, às vezes meu carrinho, às vezes eu corri, e muitas vezes eu andei, e pelo menos em uma oportunidade eu me arrastei. Mas eu sempre sabia exatamente aonde ir e como chegar lá.
E agora, meus amigos, a minha estrada continua posta, diante de mim. Não sei exatamente qual é o meu meio de condução no momento, mas ainda consigo ver claramente meu destino. Às vezes é importante parar pra cheirar as rosas, ou come-las, ou fuma-las, ou joga-las no mar, mas enquanto eu estiver aqui, nesta mesma estrada, eu não tenho com o que me preocupar, eu sempre estarei bem. É só continuar seguindo, continuar seguindo...







Fabio Camara


 



Um comentário:

  1. Não sei o que vc a esperando para escrever um livro, o jeito que vc coloca as palavras é sensacional, =)

    ResponderExcluir