Eu sou o princípio da
intenção
Eu sou as aspas
quietas de um poeta rei
Sobre as palavras
belas que deslindarei
Eu sou dois pontos
que lhes contarão
Sobre os contos que
amanhecerão
Sou eu o início da
composição?
Sou eu conflito entre
compasso e ciclo?
Serei a vírgula que
separa o verso?
Ou sou o verbo que
interpela a vida?
Sou eu o ponto da
interrogação?
Serei a rima que se
sacrifica?
Ou sou eu a morte da
própria escrita?
Eu sou a dúvida que
não duvida
Eu sou a resposta nas
entrelinhas
Eu sou a catástase da
intensão
Eu sou o aumento de
rebeldia
Eu sou o êxtase de um
som complexo
Eu sou a melodia que
grita de excitação
Eu sou o acento agudo
mais circunflexo
Eu sou o ângulo bem
mais aberto
Eu sou o ponto de
exclamação!
Ainda que eu viva em
insolação
Com o rair da poesia
Ainda vejo em meu
espelho sujo
Meu reflexo turvo de
aparências.
Porque ainda que haja
inspiração
De se romper o
desfecho original
E se perder nas
reticências,
Ainda insiste a
poesia
em se pôr (sozinha)
Atrás de um fatal
ponto final.
.
Fabio M. Camara
Ai ai!! Quanta beleza!
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