20 de mai. de 2013

A Tragédia da Poesia



Eu sou o princípio da intenção 
Eu sou as aspas quietas de um poeta rei  
Sobre as palavras belas que deslindarei 
Eu sou dois pontos que lhes contarão 
Sobre os contos que amanhecerão
  
Sou eu o início da composição? 
Sou eu conflito entre compasso e ciclo? 
Serei a vírgula que separa o verso? 
Ou sou o verbo que interpela a vida? 
Sou eu o ponto da interrogação? 
Serei a rima que se sacrifica?  
Ou sou eu a morte da própria escrita?

 Eu sou a dúvida que não duvida  
Eu sou a resposta nas entrelinhas  
Eu sou a catástase da intensão  
Eu sou o aumento de rebeldia 
Eu sou o êxtase de um som complexo 
Eu sou a melodia que grita de excitação 
Eu sou o acento agudo mais circunflexo 
Eu sou o ângulo bem mais aberto 
Eu sou o ponto de exclamação!

 Ainda que eu viva em insolação 
Com o rair da poesia 
Ainda vejo em meu espelho sujo 
Meu reflexo turvo de aparências. 
Porque ainda que haja inspiração 
De se romper o desfecho original 
E se perder nas reticências, 
Ainda insiste a poesia  
em se pôr   (sozinha) 
Atrás de um fatal ponto final.






Fabio M. Camara

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